Diz-nos a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira que Parada de Todea (sic) foi "curato da apresentação do convento de Cete, no antigo conc. de Aguiar de Sousa." Não havendo consenso em torno de o que possa justificar, com considerável grau de certeza, a origem do seu topónimo, resta-nos plasmar aqui as várias 'opiniões' conhecidas e publicadas por quem se debruçou sobre o assunto.

Leite de Vasconcelos assevera que Todea derivará de uma divindade romana de seu nome Tutela, que terá tido um templo de adoração (fanum) nesta localidade. Ora, Tutella ou Tutellina, como consta da Monografia de Paredes do Dr. José do Barreiro, "era a deusa romana que se invocava para a conservação dos cereais enceleirados, e para a protecção das searas contra a saraiva". Pedro Ferreira, na sua Tentativa Etimológica, fala de o topónimo poder vir de Thadêa e este de Thadeu, nome de santo. O Dr. José do Barreiro diz ainda que um médico natural de uma outra Todeia lhe disse que tal nome significa de todos, geral, universal, e parafraseia o Pe. Peixoto que também não concorda com a tese da origem pagã, afirmando que "os deuses romanos raramente deixaram nomes em terras de Portugal - e diz que Thodeia é nome próprio pessoal, que se lembra de ter lido no Livro de Linhagens." Sobre "Parada", Pedro Ferreira diz que "é o mesmo que Pousada (...) hoje estalagem, hospedaria". Barreiro cita Pinho Leal no seu Portugal Antigo e Moderno para recordar que "houve entre nós «o foro de parada, que consistia em terem os vassalos, enfiteutas ou colonos, e mesmo os párocos rurais, e mosteiros preparados e prontos certos mantimentos e aposentadoria, para os seus respectivos senhores e sua comitiva»."

Em 1921, o arqueólogo Dr. Mendes Corrêa descobriu vestígios de necrópole da era romana em Parada de Todeia. O achado localizava-se, de acordo com Teresa Soeiro, "na encosta do cabeço onde está a igreja paroquial de Parada de Todeia, dominando os campos que descem até ao Sousa mas a 160m de altitude", e conservava três séries de sepulturas. Foram encontradas ossadas, pregos, um anel de bronze, uma mesa, cerâmica, aros ornamentais, jarros, púcaros, tigelas e cinco moedas. Destas, duas estavam ilegíveis, uma fora atribuída ao tempo do imperador romano Constantino I e as outras duas a Constante (todas do séc. IV). Todo este espólio encontra-se no Museu de Antropologia Dr. Mendes Corrêa.

Na História da localidade destacam-se três ilustres personalidades. Começamos por D. António Barbosa Leão, de "saudosíssima memória", como consta da placa de homenagem existente nas traseiras da igreja, nascido nesta freguesia a 17 de Outubro de 1860. Ordenado sacerdote em 1886, foi professor no Seminário dos Carvalhos entre 1886 e 1890. Foi abade de Lustosa entre 1890 e 1904 e foi sagrado bispo a 26 de Agosto de 1906. Foi bispo de Angola e Congo entre 1906 e 1907. Foi também bispo do Algarve entre 1907 e 1919, e por fim, bispo do Porto entre 1919 e 1929. Faleceu a 21 de Junho de 1929 e está sepultado no cemitério da sua terra natal.

É também natural desta terra o médico, político, jornalista e administrador colonial, Dr. José Barbosa Leão, que foi também, como refere Barreiro, "distinto gramático e filólogo". Formou-se na Escola Médico-Cirúrgica do Porto e obteve o grau de Doutor pela Faculdade de Medicina de Bruxelas. Com vários livros publicados na área das letras, foi um dos proponentes e defensores de uma reforma ortográfica da língua portuguesa na década de 80 do século XIX. Em 1880 ocupava o cargo de representante de Angola na Câmara dos Deputados. Distinguiu-se também como jornalista tendo sido um dos colaboradores-fundadores do jornal "Geração Nova". Faleceu a 13 de Novembro de 1888 e foi sepultado na sua terra natal.

Nota ainda para o Cónego Dr. Manuel Barbosa Leão, irmão do anterior. Doutor em Teologia pela Universidade de Coimbra, foi cónego-tesoureiro-mor da Colegiada de Cedofeita (Porto). Publicou, juntamente com o Pe. Francisco Correia de Lacerda (Prior de Cedofeita), a História da Antiquíssima e Santa Igreja, hoje Colegiada de S. Martinho de Cedofeita. Faleceu em 1903 e, como os anteriores, jaz em Parada de Todeia. 

No que diz respeito ao património há que salientar a existência da Capela de Sto. António (Casa do Fundo) e Capela de S. Luís Rei de França (Casa dos Chãos), ambas particulares. A igreja apresenta interiormente um traço bastante simples, dividida em altar-mor, assembleia e coro alto, desprovida das talhas e adornos dourados que terá tido noutras eras. A torre foi erguida em 1898, a mando de José Coelho Barbosa, da casa de Paços de Além. O Cruzeiro da Independência, no lugar da Lage, foi inaugurado no dia 18 de Agosto de 1940. 

 
Texto: I. R. Silva (2011)

Bibliografia:
AA. VV. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa-Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, s/d.
BARREIRO, Dr. José do. Monografia de Paredes. Porto: Tipografia Mendonça, 1922.
GOMES, Paulino. À Descoberta do Vale do Sousa - Rotas do Património Edificado e Cultural. Paços de Ferreira: Héstia Ed., 2002.
PINTO, Ricardo; TORRES, Ivone. Paredes - Jóia do Sousa. Paços de Ferreira: Anégia Editores, s/d. 
SOEIRO, Teresa. "Contribuição para o Inventário Arqueológico do Concelho de Paredes" in Revista PORTVGALIA, vol. VI-VII, 1985/86.